domingo, 23 de fevereiro de 2014

E depois?

Ah! Ser de vento,
Que indiferente, acaricia o corpo,
Penetra pelo nariz
E, incontinente,
Como lento veneno,
Me corroí por dentro.
Ah! Ser de luz,
Que ilumina e seduz,
Me arranca da matriz
Gerando vida!
Ah! Ser de cor.
Seus matizes mostram:
No beco, também se vive o amor!
Santa, mulher, meretriz, aprendiz...
Estou tudo que sempre quis:
Invadida, iluminada, colorida,
Violada, vencida, enfeitiçada.
Ah! Ser de concreto,
Que de repente,
Não está mais perto.
Mas na distância finita,
Tua presença sinto ainda.
Ah! Ser de calor,
Para quem reservas teu amor,
Se estou só, sem mentor
E cada vez que te vejo:
No vento, na luz,
Na cor, no concreto,
No calor, em nós dois,
Me pergunto:

- E depois?

Monet - La Promenade Sur La Falaise


(Resultado de uma semana convivendo com escritores e contadores de histórias em 1997, eu acho! Recitei em algumas atividades e, sendo muito atrevida, cantava 'Onde está você?' inspirada em José Mauro Brant.)

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