terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Então, é Natal...

Que importa se a criança que nasceu é menino ou menina?
Que importa se nasceu em manjedoura, em hospital particular, em berço de ouro, em palafita ou no meio da rua?
Que importa se é loira dos olhos claros, negra de cabelos encarapinhados, amarela de olhos puxados, vermelho ou tudo misturado?
Que importa se ela vai proferir palavras em inglês, em dialetos africanos, em português, em latim ou em sânscrito antigo?
Que importa se vai ser católica, evangélica, budista, praticante de religiões de matrizes africanas ou até mesmo ateia?
Que importa se nasceu em 25 de dezembro, primeiro de janeiro, no meio do carnaval, com as águas de março, no dia da mentira, em 13 de maio, em plena colheita do milho, no temporal do inverno, com os ventos de agosto, em 21 da primavera, em 12 de outubro ou mesmo no dia de finados?
Importa que venha de coração puro e espírito iluminado e que assim se mantenha!
Importa que venha para anunciar a esperança de um novo mundo!
Importa que pratique o que veio anunciar, todos as horas, todos os dias, sempre!
Importa que venha para fazer um mundo realmente novo onde o respeito, o amor, a solidariedade sejam banais nas ações cotidianas.

Importa que sejamos esta criança!!
Bem vindos ao Natal, aniversariantes de todas as datas, todos os nomes, todas as idades, todas as opções sexuais e de gênero, todos os credos religiosos, todas as etnias... Façamos pois, a partir de cada um de nós, um novo mundo!!

Acervo pessoal de Elaine Oliveira

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Guardanapo marcado

Todo dia
Um guardanapo marcado
Por uma boca perfeita,
Por um sorriso desconhecido.
Passou a procurar,
Na hora de almoçar,
O guardanapo marcado
Na mesa abandonado.
Um dia chegou mais cedo.
Teve uma visão espetacular
A dona da boca
Do guardanapo marcado
Ainda estava lá!
Esperou vê-la sorrir
Esperou vê-la sair...
O guardanapo marcado,
Agora guardado,
Parecia luzir o sorriso avistado.
Decidiu:
Nunca mais almoçaria atrasado!




(Costumava usar batons vermelhos e vinhos que costumam marcar os copos dos restaurante. Por isto, antes de comer, encostava o guardanapo para tirar o excesso do batom, o que deixava impresso, nitidamente, minha boca. Um dia, alguém me falou que achava lindo a marca do batom no guardanapo e durante algum tempo, foi meu companheiro na hora do almoço...)

sábado, 3 de agosto de 2013

Mato Grosso - PE

No Mato Grosso
Não há mar.
Em pernambuco, há.
Há mar... e muito!
Que bom seria trocar.


No Mato Grosso
Não há mar.
Pena? Não!
Tem gente
Tão fácil de amar...

Moça na praia - Cícero Dias
(Algumas pessoas passam como uma lufada de vento fresco, e muito rápido, em nossas vidas, mas deixam lembranças boas para o resto da vida. Dourados, mesmo sem mar, foi  muito fácil de amar!)

domingo, 21 de julho de 2013

Dia do meu amigo!

Ontem foi o Dia do Amigo (e só para variar eu estou atrasada!)! 
Dizem que nós temos colegas e não amigos e que são raros aqueles com quem podemos contar! 
Então eu devo ser abençoada! 
Em vida já vi pessoas, que só conhecia de vista (mas que ME conhecia!) me abraçarem desesperadas porque anunciaram o falecimento de uma Elaine e ela não queria acreditar que fosse eu. Não era!! E elas ficaram felizes! A ela eu posso, sim, chamar de amiga. Tenho certeza que, em alguns momentos de sua vida eu vou estar em suas orações!!
Já recebi abraços inesperados, apertados, de uma troca de energia tão boa, abraço que eu nem esperava naquele momento, de pessoas que muito pouco convivem comigo, mas que já me colocaram na sua lista de pessoas especiais!
Já vi um monte de gente ficar ao meu lado, ou ao lado de um telefone, caso eu precisasse, porque minha filha desapareceu por 4h (e só foi um mal entendido!). Mas eles estavam lá!
Já vi pessoas confiarem em mim, e eu nelas, sem nunca termos postos nossos olhos em cima das nossas pessoas físicas! Mas eu sei que estou nas orações delas e elas na minhas! E já vi pessoas confiarem em mim, apenas porque eu era eu e por me conhecerem um pouco e saber que poderiam confiar em mim (e elas nem se consideravam minhas amigas!).
Já vi também gente amiga, de estar na listas das pessoas especiais, aprontarem tanta besteira comigo que por dias eu fiquei passada. Mas nem foram tantos dias assim! Passei-os todos para o fim da lista e deixei minha educação e não minha amizade lidar com elas!!
E quando escrevo as coisas vou lembrando de nomes e rostos e tenho certeza que daqui a um ano, dois, ao comemorar novamente o dia do amigo, novos nomes e rostos surgirão!
Percebi que tenho amigos de raças diferentes... Perái!! Raça?! Somos cachorros, por acaso? Vou dizer diferente. Tenho amigos de tons de pele diferente que vai do branco translúcido ao negro luzidio. E é esta diversidade de tons que faz a palheta da minha vida ficar tão parecida com uma obra de arte!
Percebi que tenho amigos de todos os credos e religiões! Que bom!! Sei que estarei protegida sempre, pois, qualquer um que eleve seu pensamento ao seu seu ser supremo e peça por mim, o fará de coração aberto!
Percebi que tenho amigos de pensamentos políticos tão variados, pensamentos que defenderei até a morte que eles possam defendê-los, e que respeitam os meus pensamentos diferentes também.
Percebi que influenciei a alguns com os meus modos de pensar e de agir. E que, na maioria das vezes, foram influências boas! (E vou te contar um segredo: dá muito medo de ser uma 'referência' para eles! É uma responsabilidade muito grande para uma pessoinha tão pequena!
E as percepções vão surgindo, mas são tantas que não caberia em uma só homenagem ao dia do amigo. Mas amigo precisa de dia?!
Para mim não!! 
Dia do amigo é aquele dia em que penso nele. Do nada! Só porque vi alguém parecido no meio da rua; porque alguém fez uma coisa idiota que era a cara dele; porque aconteceu um acidente na estrada em que ele passa sempre; porque é o dia do seu aniversário e eu não tenho como mandar uma mensagem e nem falar com ele; porque eu precisava muito ouvir a sua voz; porque alguém teve a coragem de me mandar calar a boca como só ele tinha; porque revi um filme, ouvi uma música, vi uma foto que era do nosso tempo (ainda estamos no tempo, né?)... E são muitos os porquês...
Claro que seria fantástico reencontrar, pessoalmente, um monte e uma tuia deles, mas nem sempre isto é possível! Então a gente se reencontra mesmo em reencontros inventados pela nossa fantasia e memória e faz uma grande festa para comemorar o dia do amigo sempre que a gente quiser!
Sintam-se abraçados e homenageados os primeiros amigos; os melhores amigos de cada época; os grandes amigos de todas as épocas; os que se perderam no tempo, mas podem voltar a qualquer momento; os que estão desde sempre; os novos que chegaram a pouco tempo e os que ainda chegarão!!
E obrigada, de coração, a todos que construíram esta colcha de retalhos, porque todos, em maior ou menor intensidade, como diria Exupery, deixaram um pedacinho do que é bordado, costurado ou remendado no que hoje eu sou!

Alguns amigos que fizeram parte do minha adolescência!
(Foto do meu acervo pessoal)


Alguns amigos que ainda fazem parte da minha adolescência atual!
(Foto do meu acervo pessoal)


Alguns amigos de hoje e sempre!
(Colagem feita a partir de fotos dos perfis do Facebook!)
(Não consegui encontrar fotos de grupos mais recentes, mas sintam-se todos fotografados pela câmara da memória e do coração!)

domingo, 7 de julho de 2013

Do entardecer ao amanhecer

O fim de tarde pintava de vermelho e púrpura o céu que ela via pela pequena janela da área de serviço onde estendia as últimas peças de roupas. Fim de mais um dia de trabalho embora ainda houvesse muito que fazer.
Há quanto tempo, se perguntou, não parava para assistir o pôr do sol ouvindo simplesmente o nada? Era difícil conseguir silêncio em uma casa com quatro crianças em idades variadas. Exigiam tempo, cuidados e atenções diferenciadas que sempre, sempre, varavam as horas da noite e da madrugada.
Daqui a pouco o marido chegaria, caso não houvesse imprevistos, reclamaria do barulho, contaria o que aconteceu durante o dia, tomaria banho, jantaria e diante da televisão, talvez lhe perguntasse sobre o seu dia. Talvez!
Para quem os via, eram o par perfeito, o casal ideal, que se conheceu na adolescência, fez de tudo para ficar juntos, tiveram seus filhos e... se perderam em algum lugar do passado. Os corpos estavam juntos, mas as almas, há muito que não se entendiam, ou o que é pior, se ignoravam.
Ele construíra seu sonho, estudara, formara-se, era engenheiro, tinha seu círculo de amigos, não abria mão da sua pelada de fim de semana... E ela?
De repente deu-se conta que não sabia onde, nem quando, havia perdido seus sonhos. Também quisera ser engenheira, quisera revolucionar e transformar o mundo e agora percebia que somente o seu mundo se modificara. Mas para o que?
O silêncio ao seu redor indicava que as crianças dormiam. Em que momento lhes dera banho, comida e lhes colocara na cama? Tinha feito tudo no automático. Sua vida seria sempre automática como respirar? Em que momento pararia para sentir o caminho do ar no seu corpo: narinas, laringe, brônquios, pulmões e volta ao exterior? Experimentou. Era bom! Experimentou de novo desta vez na janela, e foi melhor ainda.
O toque do telefone desviou seu pensamento. Mais uma vez jantaria sozinha.
O banho morno era relaxante, mas tinha que ser rápido. E se o mais novo acordasse tossindo ou com pesadelo ou chorando?
Não entendeu porque não colocou uma roupa de dormir. Escolheu uma roupa leve: calça de malha e camiseta. Olhou para o guarda roupa e resolveu ignorar a piscada de olho da trouxa de roupa que esperava ser passada.
Voltou para a sala, e escolheu um disco: Gilberto Gil. E só uma música: Drão. Gostava de ouvi-la. Falava de reflexão de vida. Gostava de cantá-la para espantar a tristeza. Nesta noite escutava, ouvia, degustava cada palavra. O disco repetia, repetia e repetia sempre a mesma história.
Onde estaria a semente que germinara um dia? Onde estavam as marcas que a dura caminhada deixara neste amor? Onde, em que momento, a mulher fundiu-se com a esposa, a mãe, a filha perfeita e deixara de existir?
Ouviu a porta abrir, sentiu um beijo no alto da cabeça e ouviu algum comentário do tipo: já jantei, vou tomar um banho e dormir, estou um caco ou algo semelhante.
Acha que sorriu, mas não tem certeza. Sentiu outro beijo, ouviu um boa noite, um está tarde. E só! Nenhum comentário sobre ela. Nada!
O som baixinho repetia a mesma música sempre. As cenas de sua vida iam e viam como cenas de cinema: coloridas, grandes, brilhantes e com som estéreo.
Começou a ver que filmaria algumas cenas de modo diferente, trocaria a posição de alguns atores, provocaria novos diálogos, melhoraria algumas luzes.
O silêncio era bom de ouvir, o vento fresco que entrava pela janela, bom de sentir, olhar o céu estrelado era encantador...
Levantou devagar e devagarzinho entrou no quarto, pegou uma pequena bolsa no guarda roupa, trocou a sandália por um par de tênis, entrou no quarto das crianças e ajeitou as cobertas de cada uma. Voltou para a sala e escreveu um bilhete que colocou em cima da mesa. Abriu a porta e saiu para o corredor. Não pegou o elevador. Desceu devagar os cinco andares do prédio. O porteiro assustou-se, mas lhe respondeu o bom dia.
Fechou o portão da rua, respirou fundo o cheiro da madrugada e seguiu pela rua em frente. Se fazia frio, não sentia. A sua frente o sol pintava, no horizonte, de vermelho e laranja, o céu.


Crepúsculo em Veneza - Claude Monet

Tem que morrer prá germinar...

(Esta semana uma amiga me disse que sentia inveja, uma inveja boa, da minha opção de ficar sozinha. Sim! Porque eu estou sozinha por opção e consciência! e me lembrei deste texto, escrito a tanto tempo que fala, e ao mesmo tempo não fala, de mim, desta amiga, daquela outra que nunca falou, mas que eu entendo só pelo olhar...)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Amor à moda do Legião Urbana

Tocou o telefone!
Era alguém com quem eu queria falar
Por horas e horas e horas...
Agora não dá!
A lei, lá ou aqui, é a vida:
é hora de levar as crianças na escola,
tem as contas prá pagar,
tem tanta gente por perto,
não vai dar para falar.
Claro que somos tudo!
Falamos a língua dos anjos,
mas os outros também podem falar
E então como vamos explicar
a beleza de um Deus
tão bonito quanto o infinito,
que gosta de trançar
as linhas da vida
sem se importar em explicar
se existe razão, ou não,
nas coisas que são feitas pelo coração?
Daí eu paro,
esqueço tudo, pulo o muro,
fujo da vida, deixo ela para lá.
Assumo meus medos e desejos
e de pé, na beira do mar
Mando um recado à lua cheia,
deixo a onda me acertar
e o meu amigo vento
vai levando tudo embora...
Mas ele sabe onde deixar!



(Sabe quando as músicas de uma de suas bandas favoritas, todas juntas, parecem escrever a história daquele momento de sua vida? Lá se vão... Melhor nem comentar quantos anos já se passaram. O meu amigo vento fez um bom trabalho: não faço a menor ideia de onde ele deixou tudo que foi dito aqui. E querem saber? Não está me fazendo a menor falta!)


Anita Malfatti - Pedras na praia 


domingo, 24 de março de 2013

Fênix

Sou verde:
Sou água do mar
Sou árvore, garapa da cana
Sou teu medo de amar.




Sou vermelho:
Sou batom, sou maçã
Sou carro de bombeiro
Sou a energia do bom...


Sou o sangue quente,
Viscoso, vital e grosso
Das veias e artérias
De toda gente, todo povo...


Sou a prostituta da esquina
O cabelo, o gesto, a voz da mulher
Sou o sorriso da menina
Sou em tudo que você quiser...


Sou o telefone que toca
Numa hora incerta
Sou a canção do rádio
Na estrada deserta...


Sou o barulho do mar,
A bruma da tristeza
Sou a Coca com limão
Junto a comida chinesa...


Sou teu rosto no espelho
No reflexo da luz matinal
Sou a briga, a indiferença
A noite, na cama do casal...


Sou a lua que sorri
No alto do céu a noite
Sou a que conta, brilhante,
Segredos no horizonte...


Sou o time favorito
Na certeza a vitória
Sou a angústia, o conflito
Que te ronda toda hora...


Sou teu carro, teu nome, teu lar
A chuva, o sol, o ar puro
A pedra no meio do caminho
Estou onde você está!


Então, não olhe para frente
Para trás ou para o lado
Não pense, nem respire
Não ouse ficar parado!!


Sou a chama da tua vida
Que queima o esquecimento
Sou a Fênix ressurgida
Deste fogo que te arde por dentro!



(Imagem retirada da Intenet - Desconheço o autor)

(Aos que tentaram fazer de mim apenas mais uma, mas descobriram, tarde demais, que eu era essencial. Sinto, mas não muito! Como Fênix, eu me recriei!! Pena que para vocês, sempre existirá o fogo...)

domingo, 17 de março de 2013

Há mar (em) nós!

Da minha janela vejo,
De verde escuro, 
O mar.
O céu azul,
Cor de olhos,
Se funde com ele
Lá longe,
Onde ela está.
Sábia linha do horizonte

Que sabe juntar...

(2001, Salvador, Bahia...)



(Aldemir Martins)


quarta-feira, 13 de março de 2013

Enchente

Olho
      o olho d'água
Que desagua no leito
De um pequeno rio
Com os olhos rasos
                            d'água
Da lágrima que ninguém viu.
Não viu 

           porque
                     não 
                          rolou
Se não rolou não 
                         c
                           a
                             i
                              u
Se não caiu não fez efeito,
não aliviou o que feriu.
E agora 
           a lágrima
                       guardada
Transborda dentro de mim
Como 
        enchente
                      de 
                           um 
                                 grande 
                                             rio...
T. C. Stelle - Whitewater river





Elaine Oliveira

domingo, 10 de março de 2013

Presentes

Meu presente.
Meu presente.
Um presente de presente, 
Um presente sempre presente.
Quem dera também
Estar presente no teu presente
e no teu presente
Ser teu presente.
E, talvez, um dia,
De presente em presente,
Fazer do presente
Um futuro...
Cheio de presentes!


Foto retirada da Internet  (desconheço o autor)

(O presente, agora num passado nem tão próximo assim, nunca se tornou futuro...)


Elaine Oliveira

sexta-feira, 8 de março de 2013

08 de março.

Amanhece. Carina Carla,
Poucas horas de nascida:
Pai desconhecido, mãe desempregada,
Hospital público, indigente.
Patrícia, cinco anos:

Leito 24, enfermaria 'B',
Espancamento, braço quebrado
Provável concussão cerebral.
Maria do Carmo, 10 anos:
Problemas mentais, abandonada,
Prostituta em um bairro central.
Vitória, 16 anos:
Estudante, classe média,
Atropela, avenida principal,
Caminho da escola;
Estado grave!
Sílvia, 26 anos:
Advogada, formada, casada,
Funcionária da multinacional,
Espancada, estrupada.
Agressor: o marido.
Odete, 34 anos:
Casada, três filhos menores,
Costureira.
Desempregada, 
Desabrigada na chuvarada.
Luiza, 42 anos:
Professora, casada,
Quatro filhos, dois empregos,
Vende roupas para aumentar a renda.
Margarete, 65 anos:
Secretária aposentada,
Viúva, diabética,
Salário mínimo.
Metade: remédios.

Doralice, 72 anos:
Viúva, retirante,
Oito filhos (paradeiros desconhecidos),
Câncer generalizado,
Morre só, num hospital qualquer...
Parabéns!

Hoje é o Dia Internacional da Mulher!
Amanhece.

É nove de março...

(Di Cavalcanti - Mulheres Protestando)


(Escrito em 08 de março de 1993, mas quando releio sempre acho que acabei de escrever...
Que haja muitos mais motivos de comemoração nos oito de março futuros porque já conquistamos um bocado de coisa, porém existem outras tantas a serem conquistadas.)

terça-feira, 5 de março de 2013

Nemtãodistanteassim: uma nova velha história!

(Conto de fadas publicado originalmente na minha página do Facebook no dia 02 de março de 2013, mas acrescido de um novo final.)


Era uma vez, no reino de Nemtãodistanteassim, um rei, que nem estava morrendo, mas vendo que estava com o pé na cova, convocou todas as moçoilas casadoras para ajudarem a escolher um novo rei. Vai que ele morria e deixava todas desamparadas?

Foi um reboliço no reino!! Ninguém acreditava que aquele tirano poderoso pudessem, assim como uma lâmpada queimada que sempre fora, desaparecer!!

Atenderam de pronto! Vamos procurar um príncipe encantado e fazer dele o rei do lugar. Cataram que cataram, acharam um príncipe, filho do poderoso rei de Bempertodaqui. Moço sorridente, bonitinho, fala organizada e o melhor: o preferido do rei.

O rei zumbi (aquele morto vivo?) adorou o rapazinho. Nas mãos deles, suas crias estariam seguras e quem sabe, quando achassem a cura para o zumbitismo, ele não retornasse ao poder? Afinal, tinha ajudado um príncipe a ser rei e o outro rei, aquele poderosíssimo, ficaria agradecido e ainda se empenharia na busca para a cura do seu mal.

Mas, se o pequeno príncipe e o grande rei pensaram em ajudar, esqueceram loguinho, loguinho!! Os dois mostraram que são fãs de Darth Vader, Lord Voldemort, Chuck, Jason, Freddy Gruguer, Herodes, da Bruxa Má do Oeste e do Leste, da Medusa e deoutras criaturas maravilhosas que habitam os reinos circunvizinhos.

Tão logo recebeu a coroa, o novo rei tratou de expulsar todos os antigos moradores do reino, inclusive aquelas mocinhas casadoras que percorreram léguas e léguas lhe procurando e que tiveram a certeza de que estariam protegidas pelo belo novo rei.

Reza a lenda que a inquisição e a caça as bruxas, duendes, fadas, gnomos e outros seres que habitam o reino de Nemtãodistanteassim está apenas começando. Serão expulsos também os seres humanos!!

As moçoilas casadoras neste exato momento estão a procura de antigos e velhos príncipes, alguns viraram conde, duque; outros viraram pessoas normais; alguns viraram sapos... Vai saber?? O que se tem certeza é que a maioria deles não mais poderão fazer nada por seus antigos amores. Casaram com outros interesses!

Como esta história, assim como aquela outra, não tem fim, é melhor os ainda sobreviventes correrem para as colinas... Não! Corram para o mar... Não! Fujam para o deserto... (Eitcha! Onde novo rei não está, está o velho!)

Fujam para Nárnia! Dizem que lá eles, ainda, não mandam!

P.S.- Quem foi que disse que as mulheres são o sexo frágil? Não se sabe exatamente o que as moçoilas casadoras fizeram, mas elas resolveram enfrentar o pequeno príncipe e suas ordens. Talvez alguma fada boa, assim como aquela do outro conto, tenha tido o poder de diminuir a força do feitiço e proteger, pelo menos momentaneamente as donzelas.
A verdade é que todos no reino de Nemtãodistanteassim estão loucos para saber o que fez o pequeno príncipe desistir de abandonar as moçoilas. Dizem as más línguas que o grande rei ordenou que ele repensasse seu ato pois em um futuro bem próximo ele, o grande rei, pretende se tornar o soberano do universo e não pretende ser atrapalhado por pirraça de filhote atrevido. Mas se existe algum fundo de verdade neste final, ninguém pode ainda comprovar...)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Solidão

A pele tem teu cheiro
O corpo, cheio de desejos,
Aguarda teu toque
E ainda o guarda!
A cama desfeita,

O lençol amassado...
A lembrança do gemido,

Das pernas e abraços
Peitos e braços,
Cabelos e espaços,
Do grito, do gozo atrevido...
Tudo preenchido!
O gosto de sol, língua, suor
De boca, de pele molhada,

De tudo, de nada...
Tudo tão claro, caro, preciso.
E choro!

Um choro baixo e dorido,
Pelo terror da descoberta:
Só tua lembrança
Dormiu comigo!


Eva Gonzales - Mulher despertando


Elaine Oliveira

Eu, escritora!

Desde pequena eu queria ser escritora!

Meu avô era escritor. Publicou livros, escreveu programas de rádio e eu era A neta do escritor, embora ele nunca tenha sido indicado para a Academia Brasileira de Letras.

Então eu escrevia. Poemas enormes, que dariam uma epopeia. Contos que no meio do caminho não sabiam para onde ir. Mas eu sabia! Iam para o lixo!

Um dia, Severina, professora de literatura me disse para não jogar fora o que escrevia. Que guardasse e quando tivesse coragem mostrasse para alguém. Escrevi um monte, mas nunca mostrei! Viviam escondidos embaixo do meu colchão como dinheiro velho.

Tinha um diário onde inventava histórias para uma vidinha mais ou menos. Era eu, e ao mesmo tempo não era, quem estava naquelas páginas que um dia foram violadas por um namorado ciumento e, como muitos escritos, por raiva, foi parar na lata do lixo.

Quando entrei no curso de Letras, abandonado porque precisava trabalhar, um professor, do qual me fiz o favor de esquecer a disciplina e o nome, perguntou quantos da sala escreviam poesias. Depois do avaliado jogou na nossa cara que o que escrevíamos não era poesia porque não podia ser considerada literatura. Portanto não tinha valor. Pronto! Mais uma vez os escritos foram para a lata do lixo e passei muito tempo sem escrever nada porque acreditava que não valiam de nada. Mas, por várias outras vezes arrisquei escrever poemas, poesias, contos que continuavam escondidos, porém escritos.

E veio a surpresa! As pessoas, amigos claro, gostavam do que eu escrevia!

Fosse poesia, conto, críticas políticas, elogios... Alguma coisa tocava o espírito, o coração e a vida deles.

O que para mim parecia besteira, para alguém era uma fonte de força, uma lembrança boa, um jeito novo de ver a vida.

E veio um grande incentivo.Em uma conversa, em um pedido de autógrafo, Marina Colassanti me disse para escrever, escrever sempre e sempre mais e mostrar porque nem todos gostaram, mas em alguém, com certeza tocará.

Decidi então que dane-se a literatura (não ao pé da letra, tá?)! Não quero ocupar a cadeira de número X depois que um dos imortais passar para outro plano!

Se a minha pouca literatura puder fazer um olho brilhar, uma lágrima cair, um sorriso aparecer, valeu a pena. Já ganhei o prêmio maior!

Cada pedacinho de retalho, em forma de letras, que eu postar, terá feito parte da minha vida, da vida de alguém ou da vida de ninguém, mas será uma história a fazer parte da grande colcha de retalhos que é a vida.

Podem compartilhar se gostarem! Só peço que preservem o escrito e deem o crédito a minha pessoa.

Bem vindos e que todos, de alguma forma se reconheçam nas letras, nos retalhos, nas histórias...




Quem sabe não era o rascunho da minha primeira história?
(Foto do meu acervo pessoal)