domingo, 21 de julho de 2013

Dia do meu amigo!

Ontem foi o Dia do Amigo (e só para variar eu estou atrasada!)! 
Dizem que nós temos colegas e não amigos e que são raros aqueles com quem podemos contar! 
Então eu devo ser abençoada! 
Em vida já vi pessoas, que só conhecia de vista (mas que ME conhecia!) me abraçarem desesperadas porque anunciaram o falecimento de uma Elaine e ela não queria acreditar que fosse eu. Não era!! E elas ficaram felizes! A ela eu posso, sim, chamar de amiga. Tenho certeza que, em alguns momentos de sua vida eu vou estar em suas orações!!
Já recebi abraços inesperados, apertados, de uma troca de energia tão boa, abraço que eu nem esperava naquele momento, de pessoas que muito pouco convivem comigo, mas que já me colocaram na sua lista de pessoas especiais!
Já vi um monte de gente ficar ao meu lado, ou ao lado de um telefone, caso eu precisasse, porque minha filha desapareceu por 4h (e só foi um mal entendido!). Mas eles estavam lá!
Já vi pessoas confiarem em mim, e eu nelas, sem nunca termos postos nossos olhos em cima das nossas pessoas físicas! Mas eu sei que estou nas orações delas e elas na minhas! E já vi pessoas confiarem em mim, apenas porque eu era eu e por me conhecerem um pouco e saber que poderiam confiar em mim (e elas nem se consideravam minhas amigas!).
Já vi também gente amiga, de estar na listas das pessoas especiais, aprontarem tanta besteira comigo que por dias eu fiquei passada. Mas nem foram tantos dias assim! Passei-os todos para o fim da lista e deixei minha educação e não minha amizade lidar com elas!!
E quando escrevo as coisas vou lembrando de nomes e rostos e tenho certeza que daqui a um ano, dois, ao comemorar novamente o dia do amigo, novos nomes e rostos surgirão!
Percebi que tenho amigos de raças diferentes... Perái!! Raça?! Somos cachorros, por acaso? Vou dizer diferente. Tenho amigos de tons de pele diferente que vai do branco translúcido ao negro luzidio. E é esta diversidade de tons que faz a palheta da minha vida ficar tão parecida com uma obra de arte!
Percebi que tenho amigos de todos os credos e religiões! Que bom!! Sei que estarei protegida sempre, pois, qualquer um que eleve seu pensamento ao seu seu ser supremo e peça por mim, o fará de coração aberto!
Percebi que tenho amigos de pensamentos políticos tão variados, pensamentos que defenderei até a morte que eles possam defendê-los, e que respeitam os meus pensamentos diferentes também.
Percebi que influenciei a alguns com os meus modos de pensar e de agir. E que, na maioria das vezes, foram influências boas! (E vou te contar um segredo: dá muito medo de ser uma 'referência' para eles! É uma responsabilidade muito grande para uma pessoinha tão pequena!
E as percepções vão surgindo, mas são tantas que não caberia em uma só homenagem ao dia do amigo. Mas amigo precisa de dia?!
Para mim não!! 
Dia do amigo é aquele dia em que penso nele. Do nada! Só porque vi alguém parecido no meio da rua; porque alguém fez uma coisa idiota que era a cara dele; porque aconteceu um acidente na estrada em que ele passa sempre; porque é o dia do seu aniversário e eu não tenho como mandar uma mensagem e nem falar com ele; porque eu precisava muito ouvir a sua voz; porque alguém teve a coragem de me mandar calar a boca como só ele tinha; porque revi um filme, ouvi uma música, vi uma foto que era do nosso tempo (ainda estamos no tempo, né?)... E são muitos os porquês...
Claro que seria fantástico reencontrar, pessoalmente, um monte e uma tuia deles, mas nem sempre isto é possível! Então a gente se reencontra mesmo em reencontros inventados pela nossa fantasia e memória e faz uma grande festa para comemorar o dia do amigo sempre que a gente quiser!
Sintam-se abraçados e homenageados os primeiros amigos; os melhores amigos de cada época; os grandes amigos de todas as épocas; os que se perderam no tempo, mas podem voltar a qualquer momento; os que estão desde sempre; os novos que chegaram a pouco tempo e os que ainda chegarão!!
E obrigada, de coração, a todos que construíram esta colcha de retalhos, porque todos, em maior ou menor intensidade, como diria Exupery, deixaram um pedacinho do que é bordado, costurado ou remendado no que hoje eu sou!

Alguns amigos que fizeram parte do minha adolescência!
(Foto do meu acervo pessoal)


Alguns amigos que ainda fazem parte da minha adolescência atual!
(Foto do meu acervo pessoal)


Alguns amigos de hoje e sempre!
(Colagem feita a partir de fotos dos perfis do Facebook!)
(Não consegui encontrar fotos de grupos mais recentes, mas sintam-se todos fotografados pela câmara da memória e do coração!)

domingo, 7 de julho de 2013

Do entardecer ao amanhecer

O fim de tarde pintava de vermelho e púrpura o céu que ela via pela pequena janela da área de serviço onde estendia as últimas peças de roupas. Fim de mais um dia de trabalho embora ainda houvesse muito que fazer.
Há quanto tempo, se perguntou, não parava para assistir o pôr do sol ouvindo simplesmente o nada? Era difícil conseguir silêncio em uma casa com quatro crianças em idades variadas. Exigiam tempo, cuidados e atenções diferenciadas que sempre, sempre, varavam as horas da noite e da madrugada.
Daqui a pouco o marido chegaria, caso não houvesse imprevistos, reclamaria do barulho, contaria o que aconteceu durante o dia, tomaria banho, jantaria e diante da televisão, talvez lhe perguntasse sobre o seu dia. Talvez!
Para quem os via, eram o par perfeito, o casal ideal, que se conheceu na adolescência, fez de tudo para ficar juntos, tiveram seus filhos e... se perderam em algum lugar do passado. Os corpos estavam juntos, mas as almas, há muito que não se entendiam, ou o que é pior, se ignoravam.
Ele construíra seu sonho, estudara, formara-se, era engenheiro, tinha seu círculo de amigos, não abria mão da sua pelada de fim de semana... E ela?
De repente deu-se conta que não sabia onde, nem quando, havia perdido seus sonhos. Também quisera ser engenheira, quisera revolucionar e transformar o mundo e agora percebia que somente o seu mundo se modificara. Mas para o que?
O silêncio ao seu redor indicava que as crianças dormiam. Em que momento lhes dera banho, comida e lhes colocara na cama? Tinha feito tudo no automático. Sua vida seria sempre automática como respirar? Em que momento pararia para sentir o caminho do ar no seu corpo: narinas, laringe, brônquios, pulmões e volta ao exterior? Experimentou. Era bom! Experimentou de novo desta vez na janela, e foi melhor ainda.
O toque do telefone desviou seu pensamento. Mais uma vez jantaria sozinha.
O banho morno era relaxante, mas tinha que ser rápido. E se o mais novo acordasse tossindo ou com pesadelo ou chorando?
Não entendeu porque não colocou uma roupa de dormir. Escolheu uma roupa leve: calça de malha e camiseta. Olhou para o guarda roupa e resolveu ignorar a piscada de olho da trouxa de roupa que esperava ser passada.
Voltou para a sala, e escolheu um disco: Gilberto Gil. E só uma música: Drão. Gostava de ouvi-la. Falava de reflexão de vida. Gostava de cantá-la para espantar a tristeza. Nesta noite escutava, ouvia, degustava cada palavra. O disco repetia, repetia e repetia sempre a mesma história.
Onde estaria a semente que germinara um dia? Onde estavam as marcas que a dura caminhada deixara neste amor? Onde, em que momento, a mulher fundiu-se com a esposa, a mãe, a filha perfeita e deixara de existir?
Ouviu a porta abrir, sentiu um beijo no alto da cabeça e ouviu algum comentário do tipo: já jantei, vou tomar um banho e dormir, estou um caco ou algo semelhante.
Acha que sorriu, mas não tem certeza. Sentiu outro beijo, ouviu um boa noite, um está tarde. E só! Nenhum comentário sobre ela. Nada!
O som baixinho repetia a mesma música sempre. As cenas de sua vida iam e viam como cenas de cinema: coloridas, grandes, brilhantes e com som estéreo.
Começou a ver que filmaria algumas cenas de modo diferente, trocaria a posição de alguns atores, provocaria novos diálogos, melhoraria algumas luzes.
O silêncio era bom de ouvir, o vento fresco que entrava pela janela, bom de sentir, olhar o céu estrelado era encantador...
Levantou devagar e devagarzinho entrou no quarto, pegou uma pequena bolsa no guarda roupa, trocou a sandália por um par de tênis, entrou no quarto das crianças e ajeitou as cobertas de cada uma. Voltou para a sala e escreveu um bilhete que colocou em cima da mesa. Abriu a porta e saiu para o corredor. Não pegou o elevador. Desceu devagar os cinco andares do prédio. O porteiro assustou-se, mas lhe respondeu o bom dia.
Fechou o portão da rua, respirou fundo o cheiro da madrugada e seguiu pela rua em frente. Se fazia frio, não sentia. A sua frente o sol pintava, no horizonte, de vermelho e laranja, o céu.


Crepúsculo em Veneza - Claude Monet

Tem que morrer prá germinar...

(Esta semana uma amiga me disse que sentia inveja, uma inveja boa, da minha opção de ficar sozinha. Sim! Porque eu estou sozinha por opção e consciência! e me lembrei deste texto, escrito a tanto tempo que fala, e ao mesmo tempo não fala, de mim, desta amiga, daquela outra que nunca falou, mas que eu entendo só pelo olhar...)