Já faz algum tempo que assisti um filme chamado “Uma escola
muito louca” onde um rapaz rico e branco (C. Thomas Howell) após perder o apoio
da família para estudar direito em Havard, utiliza-se de artifícios para ficar
negro e poder cursar a universidade, sem pagar, usando o sistema de cotas
acreditando que assim não teria problemas por acreditar na ‘facilidade’ que é a
vida dos negros na sociedade americana.
Neste percurso ele conhece a garota negra (Rae Dawn Chong),
de origem pobre, com um filho para criar, de quem ele roubou a vaga e que, por
causa disto tem que trabalhar como garçonete para manter-se e pagar a
universidade. Previsivelmente ele se apaixona por ela, conhece sua família e
amigos e passa a conviver com o preconceito, o desrespeito, as piadas de mau
gosto contra os negros, os mesmos preconceitos, desrespeito e piadas das quais
fazia uso.
O filme é comercial, tipo sessão da tarde, risível e, como já
disse, previsível se você não prestar atenção a alguns detalhes como o discurso
do amigo (Arye Groos) faz para defende-lo no julgamento por fraude na
universidade onde acusa a sociedade, corrompida moral e intelectualmente, de
criar pessoas como seu cliente, mas que, apesar da raça e da criação, resta a
esperança de que possa vir a ser útil à sociedade.
Detalhe maior, diante de tantas situações atrapalhadas e
engraçadas, perderá quem não prestar atenção a conversa final entre Mark, o
enganador, e seu professor, vivido pelo espetacular James Earl Jones.
Nela depois de perguntar várias vezes o que Mark pretende
fazer dali para frente várias vezes e de ouvi-lo dizer que quer se formar em
direito e ser útil à sociedade, o professor passa a enumerar as incontáveis
vantagens de ser um advogado formado em Harvard, mas que acredita que ele tenha
aprendido mais com a experiência do que a universidade poderia ensinar e acaba
dizendo que ele, Mark, aprendeu a ser negro!
Para sua surpresa, o rapaz responde que não aprendeu a ser
negro porque durante toda a experiência, poderia desistir a qualquer momento
caso não gostasse. E isto não era a mesma coisa de ser negro.
Nós somos Mark! Todos nós!
Mudamos nossas fotos de perfil para bandeiras em favor do
LGBTs; em solidariedade aos que sofreram atentados na França; usamos
#algumacoisa para apoiarmos as diferenças religiosas, direito de todos;
apoiando o movimento negro e o reconhecimento das inclusões; as vítimas de
grandes tragédias da natureza ou causada por grandes acidentes...
Reclamamos dos que lembram dos estrangeiros, mas esquecem os
que estão ao seu lado e reclamamos de outras tragédias que acontecem todos os
dias com outros povos, outras raças, outros países, outros que não somos nós!
Disputamos para ver qual é a tragédia maior e que é justa ou
não e por isto os inocentes são mais inocentes e por isto merecem nossas orações
mais puras.
Dizemos que ninguém lá fora lamenta uma tragédia
brasileira...
Mas vamos ter uma conversa de pé de orelha: todo mundo
lembra, trocando ou não a foto de perfil de fazer alguma coisa, de fato, pelas
causas que pauta?
Já levantou a bunda da cadeira e foi a uma passeata em favor
da educação porque #jesuiprofessor? Ou você só é a favor se não atingir a
escola particular onde seu filho estuda?
Já defendeu um protesto por redução de passagem, mesmo sem
ter engrossado as fileiras ou #acidadevaipararseapassagemnãobaixar desde que
estes baderneiros não me impeçam de passar no meu carro com ar condicionado?
Já foi a favor de uma tragédia brasileira e reclamou de quem
se solidarizou com uma estrangeira, porque brasileiro só dá valor ao que vem de
fora, mesmo quando é uma tragédia, mas não doou um centavo, uma roupa velha, um
litro de água para os flagelados?
Tem certeza que você conhece tão bem os estrangeiros para
saber que nenhum apoiou os brasileiros? Você consegue circular pela oração de
cada um, para qualquer que seja sua Ser superior, mesmo sem elevar um
pensamento a Deus, Budá, Maomé, Geova, Shiva, Oxalá ou seja quem for para pedir
comiseração aos que padecem nas tragédias?
Somos todos Mark!!
Na hora que a brincadeira cansa, podemos trocar a foto de
perfil por qualquer outra, mais alegre, mais colorida, mais festivas, sem o
peso das lutas ambientais, sociais, étnicas, religiosas que possa estar
afligindo a quem quer que seja.
Não disputemos que tragédia entrará para o Guiness! Não
coloquemos no mesmo saco todos os de uma nacionalidade como se fossem
terroristas, ladrões, assassinos, subversivos, mau caráter, corruptos...
Mude a foto por bandeira, lama, laço preto, laço colorido...
Mude se sobrenome...
Mude-se!! Mude seu modo de pensar e agir!
Doe dinheiro, roupa, comida, tempo, atenção.... Abra sua
cabeça e entenda que somos inteligentes o suficiente para expandirmos nossas
mentes e emanar energias positivas, força vital, axé, orações, a isto também
podemos chamar de solidariedade, para várias causas, mesmo que nos perfis as
pessoas optem por dar visibilidade a uma ou outra por simpatia ou empatia.
#Jesuishumana com todas as contradições desta condição. E
desta condição não dá para desistir.
Mais humanidade, por favor, ou continuaremos #JeNeSuisPasNada!![]() |
| Guerra e Paz - Cândido Portinari |
(Entre a França, Mariana, a Síria, a Chapada Diamantina, o sertão nordestino. Gaza, Governador Valadares, Nigéria, Moçambique, Recife, Coque prefiro a humanidade inocente que existe em todos estes lugares!)
