terça-feira, 17 de novembro de 2015

#JeNeSuisPasNada!!

Já faz algum tempo que assisti um filme chamado “Uma escola muito louca” onde um rapaz rico e branco (C. Thomas Howell) após perder o apoio da família para estudar direito em Havard, utiliza-se de artifícios para ficar negro e poder cursar a universidade, sem pagar, usando o sistema de cotas acreditando que assim não teria problemas por acreditar na ‘facilidade’ que é a vida dos negros na sociedade americana.
Neste percurso ele conhece a garota negra (Rae Dawn Chong), de origem pobre, com um filho para criar, de quem ele roubou a vaga e que, por causa disto tem que trabalhar como garçonete para manter-se e pagar a universidade. Previsivelmente ele se apaixona por ela, conhece sua família e amigos e passa a conviver com o preconceito, o desrespeito, as piadas de mau gosto contra os negros, os mesmos preconceitos, desrespeito e piadas das quais fazia uso.
O filme é comercial, tipo sessão da tarde, risível e, como já disse, previsível se você não prestar atenção a alguns detalhes como o discurso do amigo (Arye Groos) faz para defende-lo no julgamento por fraude na universidade onde acusa a sociedade, corrompida moral e intelectualmente, de criar pessoas como seu cliente, mas que, apesar da raça e da criação, resta a esperança de que possa vir a ser útil à sociedade.
Detalhe maior, diante de tantas situações atrapalhadas e engraçadas, perderá quem não prestar atenção a conversa final entre Mark, o enganador, e seu professor, vivido pelo espetacular James Earl Jones.
Nela depois de perguntar várias vezes o que Mark pretende fazer dali para frente várias vezes e de ouvi-lo dizer que quer se formar em direito e ser útil à sociedade, o professor passa a enumerar as incontáveis vantagens de ser um advogado formado em Harvard, mas que acredita que ele tenha aprendido mais com a experiência do que a universidade poderia ensinar e acaba dizendo que ele, Mark, aprendeu a ser negro!
Para sua surpresa, o rapaz responde que não aprendeu a ser negro porque durante toda a experiência, poderia desistir a qualquer momento caso não gostasse. E isto não era a mesma coisa de ser negro.
Nós somos Mark! Todos nós!
Mudamos nossas fotos de perfil para bandeiras em favor do LGBTs; em solidariedade aos que sofreram atentados na França; usamos #algumacoisa para apoiarmos as diferenças religiosas, direito de todos; apoiando o movimento negro e o reconhecimento das inclusões; as vítimas de grandes tragédias da natureza ou causada por grandes acidentes...
Reclamamos dos que lembram dos estrangeiros, mas esquecem os que estão ao seu lado e reclamamos de outras tragédias que acontecem todos os dias com outros povos, outras raças, outros países, outros que não somos nós!
Disputamos para ver qual é a tragédia maior e que é justa ou não e por isto os inocentes são mais inocentes e por isto merecem nossas orações mais puras.
Dizemos que ninguém lá fora lamenta uma tragédia brasileira...
Mas vamos ter uma conversa de pé de orelha: todo mundo lembra, trocando ou não a foto de perfil de fazer alguma coisa, de fato, pelas causas que pauta?
Já levantou a bunda da cadeira e foi a uma passeata em favor da educação porque #jesuiprofessor? Ou você só é a favor se não atingir a escola particular onde seu filho estuda?
Já defendeu um protesto por redução de passagem, mesmo sem ter engrossado as fileiras ou #acidadevaipararseapassagemnãobaixar desde que estes baderneiros não me impeçam de passar no meu carro com ar condicionado?
Já foi a favor de uma tragédia brasileira e reclamou de quem se solidarizou com uma estrangeira, porque brasileiro só dá valor ao que vem de fora, mesmo quando é uma tragédia, mas não doou um centavo, uma roupa velha, um litro de água para os flagelados?
Tem certeza que você conhece tão bem os estrangeiros para saber que nenhum apoiou os brasileiros? Você consegue circular pela oração de cada um, para qualquer que seja sua Ser superior, mesmo sem elevar um pensamento a Deus, Budá, Maomé, Geova, Shiva, Oxalá ou seja quem for para pedir comiseração aos que padecem nas tragédias?
Somos todos Mark!!
Na hora que a brincadeira cansa, podemos trocar a foto de perfil por qualquer outra, mais alegre, mais colorida, mais festivas, sem o peso das lutas ambientais, sociais, étnicas, religiosas que possa estar afligindo a quem quer que seja.
Não disputemos que tragédia entrará para o Guiness! Não coloquemos no mesmo saco todos os de uma nacionalidade como se fossem terroristas, ladrões, assassinos, subversivos, mau caráter, corruptos...
Mude a foto por bandeira, lama, laço preto, laço colorido...
Mude se sobrenome...
Mude-se!! Mude seu modo de pensar e agir!
Doe dinheiro, roupa, comida, tempo, atenção.... Abra sua cabeça e entenda que somos inteligentes o suficiente para expandirmos nossas mentes e emanar energias positivas, força vital, axé, orações, a isto também podemos chamar de solidariedade, para várias causas, mesmo que nos perfis as pessoas optem por dar visibilidade a uma ou outra por simpatia ou empatia.
#Jesuishumana com todas as contradições desta condição. E desta condição não dá para desistir.
Mais humanidade, por favor, ou continuaremos #JeNeSuisPasNada!

Guerra e Paz - Cândido Portinari

(Entre a França, Mariana, a Síria, a Chapada Diamantina, o sertão nordestino. Gaza, Governador Valadares, Nigéria, Moçambique, Recife, Coque prefiro a humanidade inocente que existe em todos estes lugares!)