domingo, 27 de dezembro de 2020

'Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima'

Quarta-feira, 22 de dezembro.
Quase não levanto porque uma rinite, sinusite, gripe ou afins me atacou e não dormi direito tossindo, como diria minha mão, feito cachorro.
Tento atender ao telefone e descubro que a voz ficou em algum lugar entre o ontem e o hoje.
Tenho vontade de dizer que não vou trabalhar, mas não posso. Estamos sem chefia imediata e cabe a mim, neste momento, assumir este papel e é dia de festa. Para a felicidade de nossos juízos, não que não amemos as crianças, é o último dia de aula de 2017.
Decidi não usar um sapato de salto baixo porque já havia usado na véspera e o triste faz um calo em cada dedão. O de salto alto também não era opção porque depois que quebrei o dedo do pé e passei dois meses sem poder andar, saí com ele nas ruas de areia fofa onde moro é pedir para quebrar de novo. Dane-se! Vou de rasteira mesmo!
Saio apressada pelo caminho levando na mão um certificado em papel cartão, para presentear a empresa que vai doar presentes aos nossos alunos, para que não amasse. (Tá! Sou professora, tenho milhões de pastas, mas neste dia não achei uma disponível)
Como as calçadas ou não existem, ou são irregulares, prefiro andar pela areia mesmo para não ficar no sobe e desce miserável.
No meio do caminho cumprimento um rapaz que vigia a esquina de uma das ruas. Ele me pergunta pela minha voz e eu digo que fugiu. Ao mesmo tempo, não sei explicar o motivo, subo na calçada.
Pense em uma ideia infeliz! A rasteirinha, usada para evitar acidentes, enganchou na beirada da calçada e lá fui eu com os dois joelhos e as duas mãos no chão e a cabeça, por pouco, não batia no muro.
Chamei um belíssimo palavrão! Claro!
Em coisa de segundo o rapaz estava me ajudando a sentar e fazendo massagem nos joelhos enquanto uma senhora que passava pela rua se aproximava para perguntar se eu estava bem e argumentava que, se eu era jovem tinha caído, imagina se fosse uma pessoa idosa como ela.
Olhei para a criatura e ela devia ter a minha idade! Mas eu sou velha! Ou quase velha, respondi, mas aceitei o elogio.
Mas o que a de tão interessante em uma queda? Nada! Talvez o fato de que, enquanto eles se preocupavam com meus joelhos e mãos eu só pensava: '*&%$#%$#@*&%$#@!!!', minha calça nova!!

(A queda foi há 4 anos atrás, mas fui corrigir um erro na postagem e, como boa limitada tecnológica que sou, acabei postando como se fosse nova. Portanto, não se preocupem! Sobrevivemos eu e a calça nova.)

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