Tinham tantas coisas em comum: amavam poesia, bolo de chocolate, músicas, cinema, praia... Eram tantas coisas em comum que as diferenças pareciam mínimas.
Casaram pouco tempo depois. E foram felizes para sempre!
Um dia, remexendo algumas coisas velhas, há muito tempo guardadas, achou o primeiro presente que ganhou: um CD do Barão Vermelho com uma música ressaltada em marcador amarelo.
Colocou a música para tocar e pegou o cartão com a dedicatória, a letra da música, e começou a rabiscar nele.
Sorriu ao terminar. Colocou dentro de uma sacolinha de papel, destas de entrega de revistas de cosméticos e pediu ao vizinho para que entregasse a ele, já que trabalhavam no mesmo escritório.
Ele reconheceu, de imediato, o presente dado a tanto tempo e o cartão que tinha escrito, com exceção das anotações recentes que diziam:
'Lembra?
Por você
Eu dançaria tango no teto (Tango?! Nem música lenta no chão, o que dirá tango no teto!)
Eu limparia os trilhos do metrô (Quem não limpa nem o próprio carro...)
Eu iria a pé do Rio a Salvador (Não a pé na padaria da esquina. Piada, né?)
Eu aceitaria a vida como ela é (Verdade! Fácil, fácil!)
Viajaria a prazo pro inferno (Quem viajou fui eu!)
Eu tomaria banho gelado no inverno (Nem no verão! Ha, ha, ha..)
Por você
Eu deixaria de beber (Água?!)
Por você
Eu ficaria rico num mês (Para me chamar de interesseira e golpista?)
Eu dormiria de meia prá virar burguês (Até sem meia você é burguês!)
Eu mudaria até o meu nome (Com certeza! Se chamar Aryosclênio Luciswaldo não deve ser muito fácil.)
Eu viveria em greve de fome (Greve de sopa de jiló e suco de chuchu!)
Desejaria todo dia
A mesma mulher (Até um sorriso vermelho olhar para você!)
Por você
Conseguiria até ficar alegre (Depois da segunda garrafa de vinho...)
Pintaria todo o céu de vermelho (Pintou! A tempestade que sucedeu a esta pintura foi fantástica!)
Eu teria mais herdeiros que um coelho (Para eu criar! Assim é tranquilo demais!)
...
Obrigada pelo tudo... e pelo quase nada.
Não aceito devolução do que já foi devolvido.
Grande beijo!'
Uma carinha sorridente encerrava as observações feitas no cartão antigo.
E foi assim que terminou um amor eterno que durou do cair do último raio de sol do verão ao primeiro pingo de chuva do inverno, mas que os fez felizes para sempre!
(Antes que pensem que é dedicado a alguém que tenha passado em minha vida, desculpa decepcionar, mas não é! Claro que na hora que escrevi, lembrei de alguéns, mas ninguéns em especial mereceu todo o escrito.
Por você... para sempre! foi inspirado nas consultas do meu cafesultório e nas conversas escutadas das amigas, das conhecidas e das desconhecidas nos ônibus, no salão de beleza, nas praças de alimentações dos shoppings e da vida.)
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| Capa do CD 'Puro Extase' - Barão Vermelho |

Muito bom, Elaine... Dá para pensar, mesmo...
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